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Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Canoas institui o primeiro Colegiado da Cultura Gospel do Brasil e reforça valorização da diversidade cultural


Data: 13 de outubro de 2025
Crédito: Felipe Figueiró / Assessoria CMC
Fotos: Gian Nunes / Divulgação CMC

Durante a sessão ordinária desta terça-feira (14), a Câmara Municipal de Canoas promoveu um Grande Expediente dedicado à implantação do Colegiado da Cultura Gospel no Conselho Municipal de Cultura, uma iniciativa inédita no país. A proposta, que surgiu a partir do diálogo entre lideranças culturais e religiosas da cidade, visa reconhecer oficialmente a relevância das manifestações culturais evangélicas dentro das políticas públicas de cultura do município.

A sessão contou com a presença de autoridades, representantes do setor cultural e líderes religiosos, como o Secretário Municipal da Cultura, Caio Fraga, o produtor cultural Pinheiro Neto, idealizador da proposta e o Pastor Lucas Barros, que assume a coordenação do novo colegiado. Também participaram convidados e representantes da comunidade gospel local.

Na tribuna, o vereador Duarte (Republicanos), proponente da homenagem, destacou o caráter transformador da cultura gospel, especialmente em comunidades periféricas, onde igrejas muitas vezes assumem o papel de centros culturais e sociais. “A cultura gospel é mais do que religião. Ela está nos corais, nas bandas, no teatro, na dança, na pintura. É uma expressão artística e social que ultrapassa barreiras e transforma vidas”, afirmou. O parlamentar também sublinhou que, embora outras vertentes culturais já contem com representações formais, a cultura gospel nunca havia ocupado um espaço oficial dentro do sistema de cultura municipal, sendo, por muito tempo, confundida exclusivamente com religiosidade.

O secretário Caio Fraga também fez uso da palavra e compartilhou uma reflexão pessoal, relacionando sua vivência espiritual com o trabalho desenvolvido na pasta. “Mesmo passando por um procedimento de saúde recentemente, encontrei forças ouvindo uma música gospel. Isso mostra o quanto a cultura tem poder de transformação e cura”, disse. Em seguida, Pinheiro Neto contextualizou a criação do colegiado, destacando que a proposta surgiu a partir da escuta ativa com artistas e trabalhadores da cultura. “Identificamos a ausência de representatividade e, a partir disso, mobilizamos a sociedade civil. Cultura não tem ideologia, não tem bandeira partidária. E o Estado laico não significa Estado antirreligioso”, pontuou.

Ele também apresentou dados que sustentam a relevância do setor: o gospel representa aproximadamente 20% da indústria fonográfica nacional e tem forte presença em eventos culturais de massa. “Se temos impacto social, cultural e econômico, por que não ter espaço dentro do Conselho Municipal de Cultura?”, questionou.

Já o Pastor Lucas Barros, recém-empossado coordenador do Colegiado Gospel, falou emocionado sobre a trajetória do segmento na cidade e a importância da conquista. “Durante anos realizamos eventos culturais com enorme esforço, sem diálogo institucional. Agora, esse espaço representa dignidade, reconhecimento e inclusão”, declarou. Lucas ressaltou que o colegiado não se propõe a excluir outras expressões, mas sim a ocupar um lugar legítimo no cenário cultural da cidade. “Nós não queremos ser os únicos, queremos ter o nosso espaço. E que esse exemplo de Canoas inspire outras cidades”, afirmou.




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